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Radar - Radiogoniômetro, o escudo secreto da Inglaterra17/06/2014por Kiril Meretskov

Em 1935 um escocês desenvolveu uma tecnologia que revolucionaria a Segunda Guerra Mundial e mundo dali para frente. Seu nome era Robert Watson-Watt, que nasceu em 13 de abril de 1892 em Brechin na Escócia. Watson-Watt criou um dispositivo eletrônico que permitia aos homens detectar e localizar objetos a distancia e sob condições de baixa luminosidade, ele foi o inventor do Radar (“Radio Detection and Ranging”). O termo Radar tem sido utilizado de forma genérica para classificaros sistemas que operam na faixa de freqüência de microondas. Estes sistemas foram utilizados inicialmente para fins militares e, posteriormente, para fins civis a partir da década de 70. O radar não é novo na natureza, os morcegos, por exemplo, utilizam um mecanismo de ecolocalização que se assemelha ao radar, os golfinhos também têm algo semelhante. O radar surgiu da idéia, encontrada na ficção científica, de que os bombardeiros incursores poderiam ser desintegrados por um raio da morte. Em meados dos anos 30, os cientistas do órgão de defesa saíram, meio cépticos, para a pesquisa de tal raio e comunicaram, depois de muito trabalho, a impossibilidade de sua geração. Mas eles escondiam um trunfo: se era um contra-senso fazer um feixe de rádio funcionar como um matador magnético, esse mesmo feixe, como radiogoniômetro de longo alcance, era uma possibilidade prática. O radar foi inicialmente projetado para detecção de aeronaves em vôo, sua torre emitia um sinal em ondas de alta freqüência. A própria torre recebia os ecos de retorno das ondas e então calculava a distancia e o tamanho do objeto. Porem os primeiros radares eram incapazes de distinguir formas então não se podia avaliar o inimigo que estava vindo atacar, se eram caças ou bombardeiros. O texto que segue é basicamente da utilização do radar pelos ingleses durante a Batalha da Inglaterra e sua importância estratégica. No encerramento do seu mais famoso discurso de tempo de guerra, Churchill usou as seguintes palavras: “A Batalha da França está terminada... A da Inglaterra está prestes a começar. Dela depende a sobrevivência da civilização cristã. Dela dependem o nosso modo de vida e a continuidade das nossas instituições e do nosso Império”. A situação estratégica mudou em Junho de 1940, quando os Panzers capturaram as cabeças de ponte na França e nos Países Baixos, a Luftwaffe estava presente em bases aéreas a 20 minutos de vôo do sul da Inglaterra. Ao mesmo tempo, aviões na Noruega a Dinamarca podiam alcançar o Leste da Ilha, aumentando a ameaça de perigo. Em 5 de Junho, cerca de 50 He-111 foram enviados para atingir campos de pouso e instalação militares no sul da Inglaterra, e esses ataques continuaram em sua maioria à noite, durante a semana. Neste evento, os bombardeiros testaram os seus ultra-secretos "Knickebein”, uma orientação radio-direcional, a descoberta e a reação se constituíram numa vitória, no entanto, não divulgada, para os Britânicos. Mas isso não era o que Göring havia planejado. Em 30 de Junho, ele transmitiu uma "Diretiva Geral de Operações da Luftwaffe contra a Inglaterra", reforçando a necessidade de cooperar junto à marinha na imposição do bloqueio econômico, mas pela primeira vez incluiu como prioridade a destruição da Royal Air Force (RAF) e a indústria de aviões. Essas instruções foram convertidas em ordens pelo pessoal da Luftwaffe em 11 de Julho, e enviada a Luftflotte 5 na Noruega (comandada pelo General Hans Jurgen Stumpff), Luftflotte 2 no norte do Le Havre(General Kesselring) e ao Luftlotte 3 ao sul do Le Havre (General Hugo Sperrle). Todas as três esquadrilhas preparam ataques no intuito de fazer a RAF reagir, levando os aviões Britânicos supostamente a destruição, abrindo caminho para o bloqueio. A RAF por sua vez, contava com 347 caças monopostos Hawker Hurricane, 199 Supermarine Spitfire, 69 caças noturnos Bristol Blenheim e 25 Boulton Paul Defiant, metade dos quais estava dispersa pelos aeródromos do sul da ilha. As bases-chave de Biggin Hill, Kenley, Croydon, Hornchurch, Manston e Tangmere formavam um anel defensivo em torno de Londres e do estuário do Tâmisa. Também era importante o fato de as costas meridional e oriental estarem cobertas por uma rede de estações de radar (a "Chaim Home") que podiam detectar as incursões aéreas a uma distancia de quase 160 km. Além disso, havia sido desenvolvida uma rede de controle que permitia o melhor uso possível dos caças disponíveis. O Marechal-do-Ar Sir Hugh Dowding era o chefe de pesquisa e desenvolvimento no período crítico do começo até meados dos anos 30. Entre os consultores científicos da RAF encontrava-se Robert Watson-Watt, que criara um meio de localizar trovoadas pelo rádio. Ele, que fizera ondas de rádio saltar das tempestades e da ionosfera, conseguiu também que elas saltassem de aviões distantes. Em 36 foi designado para criar e dirigir, como Comandante-Chefe, uma organização de defesa, o novo Comando de caça da RAF. Toda a defesa aérea do país passou a ser de sua responsabilidade, inclusive a cadeia de radares que Watson-Watt ajudou a implementar. O sucesso do sistema dependia da determinação de Dowding, que estava tecnologicamente muito à frente do seu tempo, “em aplicar previdentemente a ciência às exigências operacionais”. Controle e padronização eram as ordens do dia. Idênticas salas de operações foram instaladas nos QGs do Comando de Caças, nos Grupos e nos Setores em que Dowding dividiu seu comando. Já em 1936, Dowding compreendeu que, em caso de guerra, em caso de ataque à luz do dia, ele provavelmente estaria em inferioridade numérica e teria escassez de caças. Portanto, projetou um sistema flexível pelo qual, na área vulnerável do sul da Inglaterra, os caças poderiam ser transferidos de um setor para outro e de um grupo para outro pelo pessoal das salas de operações cuidadosamente ligadas por linhas telefônicas e de teletipos. Todo esse aparato era baseado nas informações que vinham tanto de observadores como da rede de radares. As guerras sempre foram decididas mais pela qualidade das armas e do equipamento do que o reconhece o sentimento popular, e quanto mais industrializado se tem tornado o mundo, maior o fator desempenhado pela habilidade técnica em comparação com as antigas virtudes da bravura e da força. O livro de Edward Bishop também ilustra este aspecto de maneira brilhante: a Batalha da Inglaterra foi finalmente vencida pela capacidade de subir bem alto e depressa, de disparar com boa pontaria e, mais importante ainda, de estar no lugar certo na hora certa. Justificadamente, a Luftwaffe, que realizava pesquisas no campo da detecção de aviões a longa distância, estava cheia de curiosidade a respeito das misteriosas torres. Desconfiando de que o aparecimento dessas torres estivesse relacionado com idêntica atividade, a Luftwaffe procurou investigar. Audaciosamente, o General Wolfrang Martini, chefe de comunicações da Luftwaffe, convencera Hermann Goering a repor no serviço ativo o aposentado dirigível “Graff Zepellin” como laboratório aéreo. A idéia era aceitável, porque nenhum dos aviões existentes poderia proporcionar os elementos essenciais ao reconhecimento que pretendia fazer, que eram o raio de ação, o espaço e a maneabilidade que lhe permitissem parar, olhar e ouvir. Apesar disso, a espionagem fracassou. O dirigível fez vários cruzeiros pela costa da Inglaterra, mas seu complicado equipamento não funcionou de maneira adequada e, depois de uma última tentativa, feita em agosto de 1939, a Luftwaffe abandonou o trabalho de reconhecimento. Após o fim da Batalha da França os alemães precisavam de superioridade aérea para garantir a invasão contra a Inglaterra, a Operação Leão Marinho, nesse ponto o radar fez a balança pesar para os ingleses. Goering que achava que em uma semana de ataques da Luftwaffe, conseguiria essa superioridade, enganou-se totalmente, ela nunca veio. Apesar de excelente piloto de caça da Primeira Guerra, Goering era tecnológica, estratégica e taticamente ignorante. Ele permanecia mentalmente na carlinga aberta da incipiente aviação de 1914-18. O seu conceito de guerra aérea moderna em nada ajudou ao desajudado por natureza tirocínio militar de Hitler. Fosse Goering uma vocação para o cargo que ocupava, tivesse ouvidos para os conselheiros tecnológicos, facilmente teria avaliado a importância do radar no sistema de defesa de Dowding. O serviço de informações da Luftwaffe mostrou-se ruim e impreciso antes e durante a batalha aérea. O radar não era nenhum segredo, desde que as altas torres começaram a ser erguida, antes do início da guerra. A Luftwaffe perdeu terreno vital quando abandonou as investigações iniciadas pelo “Graf Zeppelin” após os primeiros resultados desapontadores. Só depois de várias semanas de observação é que os comandantes de Frota Aérea, Kesselring e Sperrle, sentiram plenamente a importância das altas torres de radar - os olhos desse sistema - que o “Graff Zeppelin” investigara tão mal. Ainda assim as frotas aéreas não estabeleceram muito bem a extensão da ajuda que o radar de Dowding podia dar na interceptação. Mas eles suspeitavam de que talvez a Luftwaffe tivesse que, primeiro, cegar pela destruição os olhos do radar e, segundo, arrasar os aeródromos avançados dos esquadrões inimigos, para que o ataque das águias eliminasse a resistência dos caças no sul da Inglaterra. A 12 de agosto, depois de ataques simulados realizados de manhã cedo do lado francês do Passo de Calais, a Luftwaffe desfechou seus primeiros golpes pesados contra o sistema defensivo de Dowding. No início da campanha, os alemães atacaram uma estação de radar e destruíram as torres, que eram o alvo mais visível. Não atacavam os barracões de madeira que abrigava os aparelhos de radar, pois os analistas da Luftwaffe simplesmente não acreditaram que os ingleses mantivessem os equipamentos em locais desprotegidos e que deveriam estar em abrigos ocultos. Os ataques destruíam a torre. Contudo, o equipamento emissor continuava intacto. O pessoal da inteligência científica inglesa fez uma aposta como só era possível saber se um radar estava funcionando captando as suas ondas, eles resolveram improvisar uma antena emissora e religaram os aparelhos, que ficavam emitindo a toa, já que não havia torre de recepção. Mas a inteligência científica alemã captou os sinais das estações e conclui que os ataques eram inúteis, os ingleses tinham conseguido colocar a estação no ar em horas. Desta forma decidiram não mais atacar as estações, pois seria inútil. Por fim os alemães começaram a se concentrar em ataques a Londres e deixando a importante cadeia de radares de Dowding e seus aeródromos em paz. Esse erro estratégico acabou por decidir a sorte da batalha. Como a Luftwaffe estava perdendo muitos aviões durante as incursões diurnas, foram iniciados ataques noturnos, o que trazia a vantagem de dificultar a localização dos aviões. Downding sabai que se o inimigo realizasse ataques noturnos contra a indústria aeronáutica, é provável que conseguisse a paralisação de todo o trabalho, apesar da dificuldade da RAF em localizar os incursores noturnos era um conforto saber que a Luftwaffe era igualmente ineficiente na navegação e na detecção dos alvos. Para melhorar a situação a RAF iniciou testes com radares aerotransportados, os AI MK IV, em Beaufighter. O Bristol Beaufighter foi um bombardeiro que a RAF empregou em múltiplas operações. Tal aparelho correspondia à necessidade de um bombardeiro rápido, de tipo intermediário entre os bombardeiros leves e clássicos médios. Uma das principais características do Bristol Beaufighter foi sua poderosa força propulsora. Chegou-se a dizer que tinha potência excessiva. No entanto, o que parecia ser um defeito chegou a se converter numa de suas mais apreciadas qualidades. Efetivamente, graças à grande potência de seus motores, o Beaufighter tornou-se um excelente caça noturno. Equipado com radar, correspondeu com eficiência as necessidades da RAF. Na noite de 19 para 20 de novembro de 1940, foi registrado o primeiro avião abatido por um caça noturno equipado com radar.
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