ARTIGOS

Dambusters e a Operação Chastise17/06/2014por Kiril Meretskov

Entre os dias 16 e 17 de maio de 1943, foi realizada uma das mais incríveis operações aéreas da Segunda Guerra. O Esquadrão da RAF 617th bombardeou e destruiu as barragens do Möhne e do Eder no vale do Rhur. As barragens do Rhur forneciam energia elétrica para industrias da Alemanha. Para destruir barragens não era possível o uso de torpedos, pois os alemães colocavam redes de proteção e para barragens de tamanho tão grande, seriam necessárias bombas de peso superior à capacidade dos aviões disponíveis.

Para isso Barnes Wallis, um projetista inglês, propôs uma bomba pouco convencional que explodiria na parte submersa da barragem, detonada por uma espoleta hidrostática. Com a onda de pressão causada pela explosão romperia a barragem. A bomba projetada era uma mina cilíndrica que lançada à baixa altitude, flutuaria na superfície antes de afundar junto à parede da represa. É um efeito parecido com atirar uma pedra na água que vai saltando antes de afundar. Foram feitos vários teste em miniaturas comprovando que seria possível a destruição das represas.

Para a operação foram usados 20 Lancaster B.MK III especialmente modificados. A bomba precisava ser lançada a exatos 18 m acima do nível da água, à velocidade de 390 km/h e a uma distancia de 366 a 411 m do alvo. Era fundamental a precisão para que a bomba não se desintegrasse com o impacto ou saltasse por sobre o muro. Para calcular a altura, foram instalados dois refletores, um na calda e outro no nariz, quando os feixes convergiam esta era a altura ideal. Já para calcular a distancia foram usadas duas torres que existiam em cada lado da barragem, utilizando-se da geometria com o conceito de objetos similares.

Para comandar a nova unidade foi escolhido o Tenente-coronel Guy Gibson, que já era veterano comissionado em outras três operações. Ele próprio escolheu a sua tripulação e foram precisos dois meses de treinamento. Gibson guiou nove aviões contra a barragem do Möhne, um segundo grupamento com outros cinco Lancasters, comandados pelo capitão Joseph McCarthy, atacaram a barragem do Sorpe, ficando outros cinco como reserva e que eram comandados pelo capitão W.C. Townsend. Os aviões que iam atacar o Sorpe decolaram pouco antes das 21:30. Porem dois foram abatidos por fogo antiaéreo, outros dois obrigados a voltar, sobrando apenas McCarthy.

A formação de Gibson, subdividida em três grupos e separados por um intervalo de dez minutos. Gibson localizou o objetivo graças à luz do luar. Enfrentando o fogo antiaéreo posicionou-se e fez um lançamento perfeito, seguiu-se o ataque do comandante H.B. Martin e de D.J.H. Maltby, este ultimo causou o colapso da estrutura, fazendo que a barragem cedesse e dando vazão a 134 milhões de toneladas de água. Após o ataque bem sucedido, Gibson dirigiu-se para o Eder, situada num vale profundo, revelando-se muito mais difícil de bombardear. O capitão D.J. Shannon fez seis tentativas todas abortadas, a mina do comandante Maud Slay atingiu o muro na superfície, explodindo e atingiu o Lancaster que estava passando a alguns metros de altura. O ultimo ataque feito pelo tenente L.G. Knight abriu uma brecha e causou um estrago maior, pois foram mais de 200 milhões de toneladas de água represadas que se precipitaram pelo vale estreito. McCarthy ainda tentou o ataque a Sorpe, sem conseguir que a barragem cedesse, dois outros Lancaster tentaram a barragem do Schwelme também sem sucesso e o avião que deveria atacar Lister foi abatido. Guy gibson foi condecorado com a Cruz da Vitória pela sua excepcional coragem e capacidade de comando. Esse homem se tornou um símbolo da geração de jovens que, noite após noite, desafiando as anti-aéreas e os caças noturnos inimigos, levavam a guerra até o coração da Alemanha. Um ano mais tarde Gibson perdeu a vida em território inimigo, mas o seu esquadrão, orgulhoso de se chama “DamBuster’s”, sobreviveu como unidade de elite, encarregada de efetuar ataques ousados contra uma longa lista de objetivos vitais, desde o afundamento do encouraçado Tirpizt à destruição do viaduto de Bielefeld.

O ataque às represas do Möhne e Eder fez com que mais de 330 milhões de toneladas de água fossem para a região oeste do Ruhr. Minas foram inundadas, casas, fabricas, estradas, ferrovias e pontes destruídas pela correnteza. Milhares de vidas foram perdidas e um elevado custo social e industrial se abateu pela região. Como efeito militar foi muito pequeno, pois em final de junho, a água já havia baixado e a capacidade de produção já estava retomada completamente. Contudo o efeito moral sobre as tropas aliadas foi muito positivo, principalmente para os britânicos que ainda sofriam como os bombardeios alemães.
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