ARTIGOS

A Batalha de Haelen - 12/08/191407/08/2013
Por Friedrich Paulus
 
            O inicio da Primeira Grande Guerra na Europa Ocidental foi marcada pela invasão alemã da pequena, porém valente, Bélgica. O plano alemão arquitetado por von Schlieffen exigia uma conversão maciça através da neutra Bélgica e noroeste da França passando a oeste de Paris. Os dispositivos alemães para este plano eram compostos de sete exércitos, que se prostravam ao longo da fronteira belga e francesa e totalizando 1.500.000 homens. O Sexto e Sétimo Exércitos compunham a ala esquerda alemã de 16 divisões, na Alsácia. O Quinto e Quarto Exércitos que estavam no centro do dispositivo alemão, eram compostos de 20 divisões. Já o Segundo e o Primeiro Exércitos que estava na ala direita, eram compostos de 34 divisões e possuíam um Corpo de Cavalaria Independente, composto de 3 divisões, que foi anexado a ala direita e era comandado pelo General von Marwitz. Eram essas 34 divisões mais o Corpo de Cavalaria que atravessariam a Bélgica.
            Contra essa ameaça, a Bélgica dispunha de apenas 6 divisões. Era desejo do Rei Albert, rei e Comandante em Chefe, que fossem deslocadas todas as 6 divisões para uma defesa ao longo do rio Meuse, reforçando as fortificações de Liége e Namur. Mas era tarde demais para esse deslocamento. Então o plano oficial foi concentrar o Exército Belga ao longo de Louvain, a 65km a leste de Bruxelas.
            E a pequena Bélgica se defendeu valentemente. Algumas batalhas ficaram famosas como as dos fortes ao redor de Liége, que se bateram por muito tempo. Outra famosa foi a de Haelen, no dia 12 de agosto, por ser uma vitória belga e também por ter sido o primeiro ataque de cavalaria na guerra. A cidade que ficava a 30km da linha principal de defesa, estava no caminho dos esquadrões de cavalaria de von Marwitz pois oferecia um bom ponto de travessia do rio Gete. Ainda no dia 11 de agosto, os belgas enviaram a 1º Divisão de Cavalaria comandada pelo General Leon de Witte para defender a ponte sobre o rio Gete em Haelen. O general, aconselhado pelo seu Estado Maior, desmontou sua cavalaria e usou-a como infantaria em uma ação defensiva, negando aos alemães sua superioridade em homens e armas. Nos últimos instantes, com a aproximação da cavalaria alemã, a 4º Brigada de Infantaria foi enviada para tomar parte na defesa da ponte.
            A batalha se iniciou no dia 12 e durou das 8h da manhã até às 18h da tarde, com a força belga repelindo diversas cargas da cavalaria alemã com rajadas regulares de tiros de fuzis. Cerca de 200 belgas tentaram formar uma posição defensiva em uma cervejaria da cidade, mas foram desalojados quando os alemães trouxeram sua artilharia de campo.        Os belgas explodiram a ponte, mas uma parte dela ainda ficou de pé possibilitando os alemães a enviarem cerca de 1.000 soldados para o centro da cidade. Com isso os belgas estabeleceram uma segunda defesa nos arredores a oeste da cidade. Os alemães, confiantes depois de terem tomado a cidade, atacaram os belgas entrincheirados com repetidas cargas de lances e sabres, porém o fogo coordenado dos fuzis e metralhadoras abriam fileiras nas cargas alemãs causando grandes perdas. Essa barreira de fogo obrigou os alemães a baterem em retirada dando todo terreno aos belgas. As baixas alemãs ficaram em torno de 150 mortos e 600 feridos. Já os belgas tiveram perdas na ordem de 160 mortes e 320 feridos e capturaram cerca de 300 alemães.
            No lado alemão, a inesperada resistência dos belgas não teve grande significância em seus planos, alterando-os pouco. Já para os belgas foi uma vitória heróica que entusiasmou toda a nação, a ponto de alguns oficiais já se imaginarem em uma ofensiva rumo a Berlim. A batalha mostrou ao mundo a decadência das cargas de cavalaria em situações ofensivas. Os dois lados ainda acreditavam na espada nua - apesar de experiências em conflitos passados como a Guerra Russo- Japonesa ou a Guerra Civil Americana mostrarem a ineficiência da cavalaria contra o fogo de fuzis e metralhadoras. A ação ocorrida em Haelen, em agosto, só veio a ressaltar ainda mais essa teoria. Os alemães mais tarde na guerra usaram sua cavalaria como fuzileiros desmontados para lutarem nas trincheiras. Mesmo assim a cavalaria foi amplamente usada na primeira guerra e também na segunda guerra como unidades de reconhecimento e também em ações ofensivas como as famosas cargas da cavalaria Polonesa em Krojanty ou a Italiana nas estepes russas.
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