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Estratégia e Tática: A Ordem Obliqua04/06/2014 por Kiril Meretskov

Minha idéia é fazer alguns comentários e estudo sobre algumas estratégias e táticas usadas em diversas batalhas, por que foram vencedoras, como foram implementadas e por quem? O estudo da Arte Militar é muito vasto, são milhares de anos de história, de guerras e batalhas. Vamos começar com alguns conceitos, segundo Aleksandr A. Svechin, teórico e oficial soviético que em 1926 escreveu o livro “Strategia”, “A tática compreende as etapas a partir da qual são efetuadas as súbitas transições operacionais. A estratégia indica o nosso caminho”. Outra definição, até mais simples veio de von Bellow (1757-1807), “quando se combate é tática; quando não se combate é estratégia”.
Agora que já temos algumas definições, o que vamos tratar aqui é uma tática, que não se aplica ao pé da letra nas guerras modernas, pois ela é do tempo onde a batalha traduzia-se no movimento e principalmente no choque, esta tradição era oriunda da Grécia. A “Ordem Obliqua”, tem sua provável origem nas guerras gregas com Epaminondas, um tático grego, que usou em batalhas entre as cidades-estado. Alexandre, o Grande, foi talvez um dos mais famosos generais a utilizar dessa tática, sua melhor aplicação pode ser vista na batalha de Gaugamela, onde ele derrotou os Persas, sendo uma de suas principais vitórias, em um batalha memorável.Alexandre sempre comandava sua cavalaria e esta sempre ficava no flanco direito, com isso ele manteve seu general Parmenio que comandava a infantaria pesada, no flanco esquerdo. Os persas primeiro avançaram contra as linhas macedônicas, enquanto o flanco esquerdo fazia um movimento para evitar ser flanqueado, Alexandre comandando a cavalaria avançou direto contra as linhas persas. Durante esse combate, as linhas persas começaram a ceder então Alexandre vendo uma brecha atacou direto em direção ao rei Dario, que ao se ver em perigo abandona o campo e com isso suas tropas debandam. Alexandre tenta segui-lo, porem como havia ainda uma feroz luta no campo onde algumas tropas persas ainda estavam lutando contra a infantaria pesada, Alexandre retorna e elimina o resto das tropas persas. Outro general a utilizar essa manobra foi Frederico, o Grande. Em 5 de dezembro de 1757, na batalha de Leuthen, Frederico derrota o exército austríaco comandado pelo Príncipe Carlos. Nas palavras de Napoleão, “Leuthen foi a Meisterstrück de Frederico, uma obra de mestre de movimento, manobras e determinação”. Por si só essa vitória já seria suficiente para imortalizar Frederico e posicioná-lo entre os maiores generais. Ele ataca um exército de poderio superior ao seu, posicionado e vitorioso, com um exército composto em parte por tropas que, pouco tempo atrás, tinham sido derrotadas e consegue uma vitória completa, sem que suas perdas fossem proporcionais ao resultado. Aquela foi a primeira vez que a “Ordem Obliqua” de Frederico fora completamente desenvolvida em presença do inimigo. O famoso historiador militar, General J.F.C Fuller escreveu comparando a derrota sofrida em Rossbach e a vitória em Leuthen: “elas representam a “Ordem Obliqua” no que tem de pior e melhor. Em Rossbach, não havia comando de general; os comandantes combinados não tinham planos e eram pouco experitentes em manobras, meros copiadores de um sistema que não entendiam. Em Leuthen, Frederico deslocou-se, concentrou, surpreendeu e atacou. A cooperação foi perfeita, como também o foram os dispositivos das três armas (infantaria, artilharia e cavalaria)”. A batalha de Leuthen começou logo cedo no dia 5 de dezembro, o exército prussiano era composto por um vanguarda de sessenta esquadrões e dez batalhões, comandados por Frederico em pessoa. Atrás vinha as quatro colunas com o resto da tropa, sendo a infantaria no centro e cavalaria nas alas. Ao aproximarem-se da vila de Bourne, foi avistada uma grande linha de cavalaria inimiga, ao ser feito o reconhecimento, constatou-se que se tratava da vanguarda austríaca. Mais adiante o exército imperial estava visível, estando a ala direita escondida em uma mata em Lissa. A esquerda estava em uma colina coberta de pinheiros, mas fracamente protegida. Ficou clara que o ataque deveria ser feita contra o lado esquerdo dos austríacos e que uma vez tomado traria a vantagem do terreno aos prussianos. Uma vez tomada o flanco direito, os austríacos ainda tentaram mudar de posição formando uma linha paralela com o avanço prussiano, mas já era tarde. Assim o centro desmoronou e a ala esquerda quando tentou atravessar a mata de Lissa, foi atacada pelo flanco e retaguarda. Como nas guerras modernas os confrontos não são mais de choque, essa manobra evoluiu para o flanqueamento, não há mais lugar no mundo moderno onde dois exércitos marcham frente a frente para se baterem no centro do campo de batalha.

 
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