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Blitzkrieg - Origem, Evolução e Revolução04/06/2014 por Kiril Meretzkov

Um das grandes lições a serem aprendidas na Segunda Guerra Mundial é que uma mudança relativamente pequena em relação tática pode ter um tremendo efeito na situação estratégica. Tal era o caso quando o exército alemão introduziu divisões mecanizadas, as divisões de panzer. Em uma base puramente técnica estas unidades não eram diferentes das divisões blindadas desenvolvidas em outros países. Porém, quando foram combinadas com as táticas de penetração desenvolvidas durante a Primeira Guerra Mundial, estas unidades mecanizadas provaram ser a base para uma forma completamente nova de guerra e um termo novo entrou em nosso vocabulário para descrever isto: 
Blitzkrieg ou Guerra Relâmpago. A Alemanha tinha resolvido o problema de guerra de trincheiras bem antes das 1918, mas porem isso não foi percebido na ocasião. Com as tropas americanas chegando e dominando a Frente Ocidental e as tropas alemãs em franca retirada depois que a ofensiva de primavera desmoronou, não houve tempo para apreciar tática alemã. Além que, a falta de mecanização fazia com que as tropas acabassem se agrupando e tornando ineficaz esta tática ao nível estratégico. Essa mobilidade simplesmente ainda não existia naquela época. Uma das razões para a vitória aliada na Primeira Guerra Mundial foi o uso de tanques em auxilio aos ataques de infantaria, um avanço tecnológico que pode ser creditado aos britânicos. Os limites mecânicos dos veículos da época levaram a maioria dos peritos militares a concluir que o tanque somente serviria para apoiar a infantaria. Contudo alguns visionários viram no tanque como um sistema de armas revolucionário e discutiram seu emprego em unidades completamente mecanizadas em vez do uso em separado para as unidades de infantaria que eram a regra usada em todos os exércitos depois da guerra. Essas táticas criadas na Primeira Guerra era basicamente um bombardeio preliminar, misto de granadas de auto impacto, estilhaço e gás era acompanhado pela infiltração que buscava os pontos mais fracos na linha de defesa e tinha objetivo ataque a locais estratégicos como centro de comando, comunicação, etc. Essa infiltração era feita por tropas devidamente preparadas (Storm Troops) , que levavam um mínimo de carga. Após essa infiltração que tinha o principal objetivo causar pânico nos defensores é que a infantaria normal seria empregada. Essas táticas foram inicialmente usadas contra a Rússia, e foram idealizadas basicamente por Georg Bruchmuller e Oskar von Hutier. Essas táticas foram mais tarde organizadas e postas em praticas pelo General alemão Heinz Guderian que também se inspirou nas idéias de especialistas britânicos como Fuller e Liddel Hart. Apesar de quem por primeiro traçou o seu esboço foi o chefe da Reichswher, o General Hans von Seeckt (entre 1920-1926), quem Liddel Hart, o grande historiador das estratégias, atribui ser o autor da revolução militar que irá transformar as armas alemãs no pós-Primeira Guerra Mundial. Nas suas memórias, von Seeckt vislumbrou: "Em breve toda a guerra do futuro aparece para mim como resultante do emprego de armas móveis, relativamente pequenas, mas de alta qualidade, e que serão muito mais efetivas com o emprego da aviação e a mobilização de todas as forças, tanto para dar início ao ataque como para a defesa do país" (Von Seeckt Aus meinem Leben, 1938). O escopo da doutrina de von Seeckt era o abandono do exército pesadão, formado por massas humanas, e sua substituição por tropas profissionais, altamente treinadas e especializadas em determinados tipos de operação, capazes de atuar nos momento decisivos. Na União Soviética, nos anos trinta a idéia de unidades blindadas completamente mecanizadas foi adotada de fato durante algum tempo como doutrina oficial. A necessidade de um exército completamente mecanizado estava alem das capacidades da Rússia, por isso essas idéias foram abandonadas e os oficiais que insistiram acabaram sendo vitimas dos expurgos realizados por Stalin. Na Inglaterra e França os oficiais que defendiam unidades mecanizadas durante os anos vinte e trinta eram muito inexperientes e sem peso político para conseguir vender as sua idéias as suas respectivas instituições. Ambas as lideranças militares dos dois países continuavam crendo no tanque como arma de apoio da infantaria. Isto não deveria ser visto como irracional, afinal de contas foi para isso que o tanque foi introduzido e havia se saído muito bem. Assim, enquanto as sementes de mecanização se espalhavam, elas caiam em terras pouco férteis. As idéias alemãs também eram semelhantes à de outras nações, porem havia uma vontade um pouco maior de por em pratica as novas táticas. Apesar de que os oficiais mais velhos também não vissem o tanque como arma independente. Mesmo após Hitler chegar ao poder e dar apoio à guerra mecanizada, isso também não fez mudar o ponto de vista dos generais. Além do interesse de Hitler na arma blindada, ele via como um forte apelo de propaganda, pois suas unidades mecanizadas impressionavam nos desfiles. Ninguém esperava que estas unidades alcançariam tamanho sucesso. Quando a guerra começou e a Polônia foi eliminada dentro de um mês de operações pelo exército do Terceiro Reich, poucos observadores militares mostraram alguma preocupação. Havia uma falta completa de perspicácia nas implicações estratégicas deste uso novo de unidades blindadas. Só depois que a França fosse eliminada da guerra em seis semanas (uma realização que tinha provado impossível nos quatro anos da Primeira Guerra Mundial) fez os observadores começarem a reconsiderar as suas suposições a respeito de como guerras seriam lutadas a partir daquele momento. Nesse momento quase toda a Europa já estava sob o domínio alemão. Quando a União soviética foi invadida aproximadamente um ano que depois que a França tinha sido derrotada, os seus exércitos ainda estavam tentando se adequar às novas táticas. Infelizmente, tais mudanças radicais levam tempo para serem instituídas. Este atraso inevitável quase custo a União soviética sua sobrevivência. O território perdido nas primeiras seis semanas de Barbarossa levou três anos para ser recuperado e o dano social e econômico feito não foi superado posteriormente durante décadas. Todo o sucesso do Terceiro Reich no primeiro período da guerra pode ser atribuído prontamente à combinação notavelmente efetiva de unidades mecanizadas e as táticas de penetração e uso da aviação. Porem essa vantagem tinha vida curta, pois logo seriam criadas contra medidas para enfrentar a Blitzkrieg alemã. O grande sucesso dos alemães na realidade dependeu em muito da inabilidade de seus inimigos para adaptarem-se à nova forma de guerra. O General Chuykov estudou atentamente as táticas alemãs de campo de batalha durante suas poucas semanas de ação antes de ser nomeado comandante do 62º em Stalingrado. Embora admirasse a maneira eficiente como coordenavam seus aviões, tanques e infantaria, isto de modo algum amedrontava, considerando-os muitas vezes lentos e irresolutos. Ao assumir o comando de um exército que em breve estaria completamente isolado à direita e à esquerda, com um rio enorme às suas costas e um comando superior muito distante para poder supervisionar todos os seus movimentos, ele teria mais liberdade de ação do que qualquer comandante soviético de exército normalmente possuía. Portanto, suas opiniões sobre como seu exército deveria lutar têm importância acima do comum. Ele acreditava que o êxito dos métodos alemães repousava principalmente na excelente coordenação de elementos - aviões, tanques e infantaria - que, em si, não eram de qualidade fora do comum. Na luta desenvolvida nos rios Don e Aksay, ele observara que os tanques não atacavam senão quando a Luftwaffe estivesse sobre as posições soviéticas, e a infantaria, só depois que os tanques tivessem alcançado seus objetivos é que ia. Assim, de acordo com suas observações, o problema se solucionaria se a coordenação dos movimentos alemães fossem rompida, por quaisquer meios possíveis; e ele também percebeu que a infantaria alemã evitava sempre o combate aproximado: ela freqüentemente abria fogo com armas automáticas à distância de uns 800 metros. Reunindo esses dois fatores - coordenação dos movimentos e combate a meia distância - ele chegou à conclusão de que a maneira correta de lutar era manter-se o mais perto deles que fosse possível. Desta forma, a Luftwaffe não poderia atacar as forças soviéticas sem arriscar suas próprias tropas, de modo que a cadeia seria rompida em seu primeiro elo, e a infantaria seria obrigada a lutar em combate aproximado, que segundo acreditava lhes era desagradável, contra um inimigo não previamente debilitado pelo trabalho dos tanques e dos bombardeiros. Ele próprio disse, mais tarde: “todo alemão tem de se sentir permanentemente sob a mira de uma arma russa”. Parecia-lhe fácil aplicar essa tática dentro da cidade, privando os alemães do seu maior trunfo - a Luftwaffe, contanto, é claro, que suas próprias tropas estivessem dispostas e fossem capazes de enfrentar os alemães em combate cerrado. Etapas da Blitzkrieg O Schwerpunkte - As força blindadas, as Divisões Panzer, independentes do restante do exército, dirigem-se ao local da concentração plena das forças, visando o ponto fraco do inimigo. A partir dali, gozando de absoluta superioridade em homens e em armas, atacam o inimigo explorando o efeito surpresa. A penetração - Feita a ruptura das linhas de defesa dos adversários, os panzers dirigem-se rápida e profundamente para dentro do campo inimigo, evitando suas formações maiores mas buscando as linhas finais da resistência. É mais importante o ataque em profundidade do que preocupar-se em guarnecer os flancos O objetivo - Tornar a vantagem tática obtida numa estratégia, o que significa a aproximação indireta cuja meta é destruir a capacidade de resistência do inimigo, não pela morte ou captura das suas tropas, mas para tornar inoperante o seu poder de comando. Paralisado pelo pânico, o coração e a cabeça atrofiam-se.
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