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Tempestade Sobre a Europa12/04/2014Tempestade sobre a Europa - Da Polônia a Dunquerque

Por Kiril Meretskov
 
"Quem quer que acenda a tocha da guerra na Europa nada pode desejar senão o caos".
Adolf Hitler, 21 de maio de 1935.Invasão da Polônia.
 
 
            Em 1º de setembro de 1939 às 4:45, começava a Segunda Guerra Mundial. O couraçado Schleswig Holstein, dispara seus canhões de 16 polegadas. A Alemanha iniciava a invasão da Polônia. Nos próximos seis anos, essa guerra devastaria o mundo e mataria mais de 55 milhões de pessoas.
            Os poloneses já estavam esperando a guerra, pois sabiam das pretensões alemãs com relação aos seus territórios. Os poloneses vangloriavam-se que, se a Alemanha atacasse, eles é que invadiriam e a guerra acabaria em Berlim. O problema era que o armamento polonês era quase todo obsoleto, datado da Primeira Guerra. A força aérea somente contava com 420 aparelhos, entre os quais os únicos relativamente modernos eram uns poucos caças P-24. Ao lado de 37 regimentos de uma cavalaria anacrônica, a força blindada se reduziu a uma centena de velhos tanques. A artilharia era inteiramente hipomóvel. O material de transmissão, rudimentar. A defesa aérea mal existia.
A ofensiva estava em pleno curso, mas os regulamentos de manobras são formalistas e pesados. Os homens estavam sobrecarregados. As frotas de combate e as frotas regimentais eram constituídos por pequenos carros rústicos. Praticamente um exército sem motores. Isso significa um exército rústico, adaptado ao país, ignorante dos problemas de abastecimento, de circulação, de mecânica, que trazem à reboque a motorização dos transportes e a mecanização dos combates.
            Já o exército alemão fez a invasão usando 2000 aviões e 44 divisões (com 20 a 25 mil soldados cada), sendo que cinco eram blindadas e seis motorizadas. A Wehrmacht, começava a por em pratica a Blitzkrieg (guerra-relâmpago). As colunas de tanques avançavam rapidamente, seguidas pela infantaria motorizada e apoiadas pelos caças-bombardeiros Stuka.
            O que é Blitzkrieg? Foi uma inovação nas táticas utilizadas no ataque. O mundo estava acostumado com o que foi a Primeira Guerra, uma guerra estática em que predominavam as trincheiras. Já a Blitzkrieg era uma guerra de movimento, onde a velocidade era essencial. Foi utilizada desde os primeiros dias da guerra. Basicamente é um ataque maciço efetuado pela força aérea e, em seguida surgem os tanques para romper as linhas inimigas, destruindo o que sobrou. E então, por último, é a vez da  infantaria, para terminar a limpeza.
            Normalmente esse ataque privilegia locais onde as defesas são mais fracas, deixa-se redutos que sejam fortemente protegidos para serem destruídos depois pela infantaria e artilharia de campanha.
            A Alemanha aproveitou sua posição privilegiada em relação à fronteira da Polônia e lançou um ataque pelo norte, centro e sul. O Grupo de Exércitos “Sul”, comandado pelo general Rundstedt, executaria a manobra decisiva da campanha. Para isso, lhe foram dadas 35 divisões, compreendendo o grosso das forças blindadas: quatro divisões Panzer, três divisões mecanizadas e duas motorizadas. Sua missão era tomar a importante região carbonífera da Silésia polonesa para, em seguida, avançar rapidamente até Varsóvia, chegando às margens do Vístula, conquistando a Capital e unindo as suas forças ao oeste deste rio com as unidades do Grupo de Exércitos “Norte”. O exercito polonês ficaria, assim, cercado ao norte e ao sul, incapaz de construir uma nova linha defensiva por trás do Vístula.             O Grupo de Exércitos Norte, comandado pelo general von Bock, contaria com 25 divisões: uma Panzer, duas mecanizadas e duas motorizadas. Depois de destruir as unidades polonesas no corredor de Dantzig, avançaria ao sul, flanqueando os rios Vístula e Narew, para se unirem com as tropas de Rundstedt. Avançando a toda velocidade na noite do dia 1º, o General Guderian atinge o Vístula, cercando assim a 27ª DI. Os exércitos alemães conseguem atravessar o rio Wartha, que era seu primeiro obstáculo, continuando seu avanço pela estrada que levava até Varsóvia. Em 8 de setembro, às 17:00, os tanques da 1ª DP, chegaram aos subúrbios de Varsóvia, porém a resistência era grande e o General Schmidt, resolve recuar seus tanques esperando a infantaria.
            Às 4:00 da manhã do dia 3 de setembro, o embaixador Neville Henderson recebeu de Londres, ordem de pedir audiência a Ribbentrop, para às 9 horas. Wilhelmstrasse fingiu dormir, como se estivesse em plena paz. Henderson teve que despertar vários subalternos, para ouvir a resposta de que Sua Excelência Ribbentrop não estaria visível pela manhã, mas que o conselheiro de embaixada Paul Schmidt, intérprete de Hitler, estava habilitado a receber qualquer comunicação do Governo inglês. Foi nas mãos desse funcionário de segunda classe que a Inglaterra teve que entregar seu ultimato: se às 11 horas - dentro de duas horas! - não recebesse garantias categóricas quanto à imediata retirada das tropas alemãs, seria decretado estado de guerra entre a Inglaterra e o Reich alemão. A França tentou, em 7 de setembro, um ataque contra a fronteira da Alemanha para tentar diminuir a pressão sobre a Polônia, porém já era tarde demais
            Em 10 de setembro, os poloneses tentaram um ataque em direção sul, buscando golpear o flanco esquerdo alemão e, com isso, deter o avanço para Varsóvia. Mas esse ataque falhou e os comandantes tentaram uma retirada em direção à capital. Rundstedt, dirigiu-se para Bzura a toda velocidade para cortar a retirada polonesa. Alguns poloneses ainda conseguiram furar o bloqueio e seguiram para Varsóvia.  Os Stukas atacaram e destruíram o grosso do exército polonês.
            Em 25 de setembro, começava o bombardeio a capital. Soldados e civis que defendem a cidade são lentamente empurrados para o centro, até que, em 27 de setembro, eles se rendem. A velocidade da vitória superou em muito as melhores expectativas alemãs.

Invasão da França
 
            Os franceses, após a Primeira Guerra, apostaram todas as suas fichas de defesa na Linha Maginot. Isso ocorreu por um motivo simples: a falta de soldados. Os anos de guerra fizeram mal à natalidade da França. Por isso,  um bom jeito de se proteger da Alemanha era criar uma linha de defesa. O problema era que, como o nome diz, era uma linha, sem nenhuma profundidade.
            Mas os alemães não atacaram por esse caminho. Em 10 de maio de 1940 se apoderaram do forte belga de Eben-Emael, atacando a Holanda, Bélgica, Luxemburgo e finalmente a França. Eles utilizaram o velho Plano Schieffen da Primeira Guerra, só que agora executados com a Blitzkrieg. A queda dos países neutros foi muito rápida. Enquanto Von Bock e o Grupo de Exércitos B atacavam ao norte, com intenção de conquistar as costas do Mar do Norte para prover de bases a Marinha e a Força Aérea, que atacariam a Inglaterra, Von Rundstedt com o Grupo A atravessaria as Ardenas, forçando uma passagem pelo Mosela. O Grupo C, comandado por Von Leeb, manteria a frente de Luxemburgo à Suíça.
            No inicio das hostilidades, o exército francês em peso sobrepujou o Exército alemão. A artilharia era muito mais numerosa e, em seu conjunto, muito mais poderosa. Como na Polônia, era quase inteiramente composta de peças de 1918, com um processo de utilização correspondente à guerra de posição. O material de DCA era insuficiente, se bem que compreendia o melhor canhão antiaéreo da época: o 90mm, do qual as sórdidas rivalidades entre Exército e Marinha só permitiram construir algumas baterias.
            O material de defesa contra blindados contava com dois tipos de peças: um bom canhão de 25mm e um de 47mm. O armamento da infantaria era bastante satisfatório, com um fuzil de tipo antigo, um excelente fuzil-metralhadora, uma boa metralhadora pesada, da guerra anterior, e dois aceitáveis tipos de morteiros. Todavia, a infantaria francesa estava desprovida da arma de combate próximo -  a pistola automática -  e de minas terrestres antipessoal. Outras insuficiências provem do espírito de guardas de armazém, reinante no Exército francês. Os alemães se apoderaram de estoques gigantescos, uma vez que, aos combatentes, faltavam roupas, calçados, cobertas, etc. Sobretudo em relação aos  tanques é que a comparação é interessante. Categoria por categoria, os tanques franceses eram mais pesados, de melhor blindagem e mais bem armados do que os tanques alemães. As únicas vantagens dos blindados alemães eram sua velocidade (um pouco maior) e raio de ação (muito maior).
            Em número, a comparação se equilibra. Um documento do Estado-Maior alemão enumera detalhadamente os efetivos e os tipos dos tanques que foram engajados a 10 de maio de 1940: um total de 2.574, compreendidos os carros de transmissões e de comando, dos quais apenas 278 Pz Kw 4. Exceção feita das relíquias da Primeira Guerra, os franceses puseram em linha 2.475 tanques, dos quais 270 B de 35 toneladas e, mais 240 autometralhadoras de combate e cerca de 600 blindados ingleses. Tiveram, assim, a superioridade numérica, ao mesmo tempo em que a da blindagem e do peso do armamento.         Então o que causou sua queda? Um dos maiores razões foi a falta de habilidade do comando francês em enfrentar a guerra de movimento imposta pela Alemanha. Eles esperavam que, como na Primeira Guerra, as linhas se assentariam e então partiriam para o ataque.
            Em 7 de maio de 1940, Chamberlain é destituído e entrava em cena Churchill. Em 10 de maio, a Bélgica é surpreendida. A alguns quilômetros a oeste de Maestricht, o canal Alberto é uma superfície de água de 60m de largura entre as margens verticais - a melhor vala antitanque da Europa. As duas pontes que o atravessam, a de Veldwezelt e a de Vroenhoven, foram cuidadosamente minadas. Dois blockhaus defendiam as pontes. Trinta quilômetros holandeses interpõem-se entre o território alemão e as defesas belgas.
            Quando é dado o alarma, ao amanhecer, o 18° RI está convencido de que tem tempo suficiente para se preparar para receber o ataque... Quatro horas depois, os primeiros inimigos atravessavam, o mais depressa possível, as pontes intactas. O que aconteceu? Um violento bombardeio aéreo batera os defensores e, em seguida, algumas seções aerotransportadas, colocadas além do canal, atacaram as pontes por trás. Mortos, capturados ou aterrorizados, os guarda-fronteiras não tinham posto em funcionamento os dispositivos de “abrir fogo”. Os infantes aerotransportados tinham liquidado rapidamente as resistências e mantido a posição até a chegada das cabeças de coluna vindas de Maestricht.    O forte de Eben Emael cobria 65 ha, tinha 8 peças de 75 e 2 peças de 120 em sua cúpula, podendo atirar em todas as direções. No entanto, o forte se cala. Não foi tomado, já que uma guarnição de 1.000 homens ainda resistia nas casamatas. Desembarcados sobre as superestruturas do forte, os sapadores pára-quedistas do tenente-coronel Mikosch gastaram exatamente 16 minutos para fazer explodir, por meio de cargas ocas, todas as peças de tiro.
            Em 12 de maio Guderian recebeu ordens de Von Kleist para que, no dia seguinte, atravessasse o Mosa por ambos os lados de Sedan, estabelecendo uma cabeça-de-ponte, tomando a Cota 247, a aldeia de Waldelincourt e do bosque de Marfée. Após forte bombardeio, tropas da Grossdeutschland atravessaram o Mosa e conseguiram atingir seus objetivos. O comando francês que esta há mais de 50 km distante da frente recebeu informações de desembarque, mas acreditaram ser um caso local e isolado. A ala esquerda do 2º Exército desmoronou, mais por problemas de moral do que de batalha. A artilharia francesa -  que poderia fazer a diferença -  foge, torna-se uma corrente em fuga; várias unidades começam a retirar-se apesar de nem terem sido atacadas. O pânico esta instalado.           No mesmo dia Rommel conseguiu uma cabeça-de-ponte em Dinant e uma terceira é obtida em Monthermé pela 6ª DP. No dia 14, os franceses prepararam um contra-ataque para deter o avanço, fechar a brecha e eliminar as cabeças-de-ponte abertas no dia anterior.       Mas suas ações são falhas e desordenadas. O problema é que os franceses eram comandados por oficiais da velha guarda que achavam que contra-ataques se organizavam num quadro de comando rígido. Eles ainda tinham em mente uma frente contínua, retaguardas organizadas, circulação livre, margem de tempo. O comando francês não estava preparado para a guerra que a Alemanha estava impondo. Decisões eram tomadas atrasadas e somente 24 horas depois da frente estar totalmente rompida e as brechas se alargavam é que o comando recebeu todas as informações.
            No dia 16, pela manhã, Guderian recomeçou o avanço a toda velocidade. Praticamente não havia mais resistência organizada. Rommel prosseguiu seu avanço na direção de Philippeville e Clerfontaine. O 9º Exército francês desmoronava, a batalha do Mosa chega ao fim. Começava agora uma caçada. À noite, o 41° Corpo Blindado estava em Aubenton, entre Mézières e Guisa e o 19° em Marle, a 20 km de Lens. Rommel alcançou um prodigioso salto noturno: atravessou a posição fronteiriça sob o luar, perto de Soldre-le-Château, circundou Maubeuge, precipitou-se nas estradas fantasticamente atravancadas, despertou e capturou regimentos que se acreditavam a vinte léguas do inimigo, tomou Avesnes, Landrecies, Lê Cateau e, por fim, provocou mortal confusão nas retaguardas do 1° Exército francês. Quando se detém, na manhã de 17, sua divisão fez 120 km, perdeu 35 mortos e 59 feridos, capturou 10.000 prisioneiros e 100 tanques. Paris por enquanto está salva. Os tanques não foram naquela direção mas, se o fizessem, não encontrariam ninguém para lhes barrar o caminho.
            Dia 19 de maio, o General Gort, que comandava a FEB (Força Expedicionária Britânica), já havia avisado a Londres que seria necessária uma retirada para a costa e embarcar as forças para fugir do inexorável avanço dos blindados. Em 20 de maio de 1940, a vanguarda do 19º Corpo Blindado comandado pelo General Guderian chegava às margens do Canal da Mancha. Ao norte, mais de 500.000 soldados aliados estavam agora cercados.   No dia 22, Churchill vai à Paris para coordenar com os franceses as medidas para salvar os exércitos acampados na Bélgica. Neste mesmo dia, a 2ª DP chega ao porto de Bolonha. No dia 24, os tanques de Guderian alcançaram as margens do canal Aa, que estava apenas a 16 km à oeste de Dunquerque.  No entanto, este recebeu ordens de parar a ofensiva. Em seu caminho havia apenas um batalhão de infantaria inglês. Dia 25, as forças de von Reichenau aprofundaram seu avanço, vencendo as dizimadas divisões belgas que, pelo flanco direito, haviam perdido contato com os ingleses. Gort, por sua vez, entendeu que não perderia mais tempo. De posse de um telegrama do ministro da Guerra, Anthony Eden, autorizando-o a colocar a segurança das tropas inglesas acima de toda outra consideração, ele ordenou, às 18 horas, que as suas forças iniciassem a retirada até a costa do Canal. Com essa retirada o exército belga ficou em uma posição que fatalmente o aniquilaria. A Bélgica se rende. No dia 26, Hitler autorizou que os tanques prosseguissem. Porém,com os dois dias de intervalo, os ingleses colocaram inúmeras tropas que dificultaram o avanço, entretanto a 10ª DP tomou Calais.
             Também no dia 26 tem inicio a Operação Dínamo. Mais de 800 embarcações de todos os tipos e tonelagens foram usadas para retirar o exército britânico. Tudo que navegava era usado: grandes navios mercantes, cruzadores, caça-minas, lanchas torpedeiras, barcos-hospitais, rebocadores, lanchas pesqueiras, “ferry-boats”, iates e até veleiros. Durante todo o dia 29, colunas intermediárias de soldados franceses e ingleses convergiam para Dunquerque. A poucos quilômetros do porto, eles abandonavam os caminhões à beira da estrada juntamente com tanques e canhões, prosseguindo a pé sua marcha, levando unicamente os fuzis. Todo o equipamento pesado desse gigantesco exército caiu na mão dos alemães.
            No dia 29, apesar do difícil avanço os tanques, chegaram a Gravelines, que se situava a poucos quilômetros de Dunquerque. Guderian percebeu que sua presa estava quase escapando, mas preparou uma arrancada, quando Hitler interveio novamente e ordenou a retirada das divisões Panzer, concentrando-as nas margens do rio Soma. Para prevenir um contra-ataque vindo do sul, a Luftwaffe terminaria o serviço. Neste momento Guderian estava a apenas 6 km de Dunquerque.
            Dunquerque, incessantemente atacada pela Luftwaffe, havia se transformado numa autêntica fogueira. Em meio às explosões das bombas e ao pipocar das metralhadoras dos aviões alemães, os barcos e lanchas se aproximavam das praias e recolhiam os extenuados soldados. A situação era desesperadora. Três contratorpedeiros e mais de 20 barcos foram afundados pelos Stukas. Angustiado, o general Gort enviou uma mensagem urgente ao seu governo, solicitando o apoio maciço da RAF. Churchill, então, resolveu enfrentar a situação com energia e ordenou que participassem da batalha a totalidade dos aviões de caça, incluindo os Spitfires que, até aquele momento, haviam sido zelosamente reservados para a defesa das Ilhas Britânicas.
            Realizando até quatro incursões diárias sobre Dunquerque, os pilotos da RAF conseguiram derrubar diversos aviões alemães e frustraram os planos de Goering de aniquilar pelo ar as indefesas tropas aliadas, encurraladas nas praias do Canal.
            Na tarde de 30 de maio, Churchill ordenou a Gort abandonar Dunquerque no momento em que suas forças ficassem reduzidas a apenas três divisões. Por sua vez, o general britânico pediu às autoridades navais que acelerassem ao máximo o ritmo dos embarques, pois o perímetro defendido, constantemente debilitado pela ininterrupta evacuação, desmoronaria em menos de dois dias. Antes de partir para a Inglaterra, Gort encontrou-se com o almirante Abrial, chefe das forças francesas em Dunquerque, comunicando-lhe que deixava no porto três divisões para apoiar a última fase da evacuação. Na tarde do dia 31, o comandante britânico deixou as praias de Dunquerque. Para ele a luta havia terminado. Com resolução obstinada, conseguira salvar o Exército inglês do aniquilamento certo.
            A partir das primeiras horas da manhã de 1° de junho, a Luftwaffe reativou seus furiosos ataques sobre Dunquerque. Um verdadeiro dilúvio de bombas foi descarregado sobre o porto e as praias, afundando mais de 30 barcos cheios de tropas. Alarmado com essas perdas catastróficas, Churchill comunicou a Reynaud, por telegrama, que devido à gravidade da situação, autorizara o general Alexander - que substituíra Gort -  a embarcar nessa mesma noite, se ele considerasse necessária, a totalidade de suas forças.
            À meia-noite de 1° de junho, Alexander abandonou Dunquerque, juntamente com as suas três últimas divisões. Na cabeça-de-ponte ficava uma reduzida força britânica, formada por 4.000 soldados e alguns canhões antitanque. A intensidade dos ataques aéreos alemães, somada ao fogo mortífero das baterias instaladas na costa marítima, impediu a evacuação durante o dia. Ao cair da noite, o Almirantado resolveu fazer um esforço maciço e enviou 88 barcos que recolheram os últimos soldados ingleses e cerca de 20.000 franceses.   Durante a noite de 3 de junho, outros 26.000 franceses foram recolhidos nas praias. O Almirante Abrial abandonou finalmente o porto às 22h e partiu para a Inglaterra numa lancha a motor. Havia terminado a Operação Dínamo.
            Quem venceu? É uma pergunta difícil, pois ambos venceram e ambos perderam. Os ingleses se consideraram vencedores, pois conseguiram salvar mais de 330 mil soldados. Os alemães, por sua vez, também obtiveram uma vitória, pois haviam expulsado da França quase a totalidade do exército inglês e ficado com inúmeros equipamentos abandonados.   Contudo, os ingleses perderam enorme quantidade de material e tiveram milhares de  baixas.  Os alemães deixaram uma enorme quantidade de soldados fugirem, o que mais tarde faria a diferença em outros teatros de operação. Em uma analise simples a vantagem foi aliada, pois os equipamentos podiam ser substituídos com maior facilidade do que os soldados se estes fossem mortos ou feitos prisioneiros.
 
Resumo da evacuação de Dunquerque
 
Soldados evacuados
27.05 – 7.669
28.05 - 17.804
29.05 - 47.310
30.05 - 53.823
31.05 - 68.014
01.06 - 64.429
02.06 - 26. 256
03.06 - 26.746
04.06 - 26.175
Total: 338.226

- Foram usados 168 barcos de guerra e 17 foram afundados.
- Foram usados 689 barcos de todos os tipos e 226 foram afundados.
- No total foram usados 857 barcos e 243 afundados.
- Material abandonado - 90.000 fuzis - 8.000 metralhadoras - 2.472 canhões - 63.879
veículos - 20.548 motos - 6.097 toneladas de munição.
- Baixas aliadas - 68.000 mortos, feridos e prisioneiros. Não evacuados: 40.000.
- Atuação da RAF - 4.822 horas de vôo - 101 missões de patrulha - 265 aviões inimigos
destruídos – 177 aviões empregados.
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