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Operação Exporter05/09/2013No longínquo ano de 1941, enquanto a então poderosa Alemanha Nazista estava em fase final de planejamento da invasão a URSS de Stalin, um encontro de forças em um teatro de operações nem tão visível acontecia.
 
No Oriente Médio, na região de Levant, se encontrava o Mandato Frances da Síria e Líbano. Sob controle da França desde o fim da Primeira Guerra Mundial e do Império Otomano, ambos os territórios serviam agora a França de Vichy e à Alemanha Nazista. Estrategicamente a leste do Egito, os aliados temiam que os territórios em poder dos franceses fossem usados como trampolim para pressionar as forças aliadas que combatiam ferozmente os alemães e italianos no norte da África. Já havia, inclusive, um acordo não ratificado entre os alemães e Vichy para que os territórios de Levant pudessem ser usados para reabastecimento de aeronaves do Eixo. Aquela área passou então a ser de vital importância para o Império Britânico e seus aliados.
 
Sob o comando geral do General Henry M. Wilson, forças aliadas tinham dois objetivos definidos: Damasco e Beirute, sendo as operações para conquista dessas duas cidades apoiadas por invasões pelo nordeste e centro da Síria.
 
Damasco seria atacada pelas forças do Major-General francês Paul Louis Le Gentilhomme, que continham a 5ª Brigada Hindu e também a 1ª Divisão de Franceses Livres. Já Beirute seria atacada pelas forças do Major General John Lavarack, compostas da 7ª Divisão Australiana e do apoio de forças especiais de Commandos escoceses.
 
Buscando então o controle do centro da Síria, um grupo que consistia do 1º Batalhão do Regimento Essex, mais um regimento mecanizado da Legião Árabe atacaria Palmira, visando ter o controle dos dutos de óleo de Haditha que levavam a Trípoli.
 
Durante as primeiras horas de 8 de junho, as forças australiana cruzaram a fronteira ao sul do Líbano enfrentando forças esparsas e desorganizadas que logo foram vencidas.
 
No dia seguinte, um grupo de Commandos escoceses se juntou ao grupo australiano para cruzarem o rio. Ao se aproximarem do Rio Litani, as forças aliadas precisaram usar botes já que a ponte havia sido destruída pelo inimigo. Em contato direto com os franceses, as tropas aliadas avançaram tomando controle de todos os pontos de defesa e consolidando sua posição naquela região.
 
O avanço aliado continuou e em 13 de junho enfrentaram os franceses em Jezzine, já no meio do caminho para Beirute. Neste ponto o combate encarniçado trouxe muitas baixas para ambos os lados. Nesse dia, o soldado James H. Gordon, vendo seus companheiros tombarem devido ao fogo de uma metralhadora, se arrastou pelo campo e tomou o ponto francês com seu rifle e baioneta. Por essa ação em Jezzine, Gordon recebeu a Victoria Cross, a maior comenda britânica que um soldado possa receber.
 
Ao mesmo tempo, as tropas do Brigadeiro Loyd que possuía como objetivo Damasco partiu para capturar as cidades de Quneitra e Deraa, visando abrir as portas para o avanço dos franceses livres de Legentilhomme. O General francês então foi ferido logo no inicio das operações e o Brigadeiro Loyd assumiu também o comando dos franceses livres. Ambas as cidade foram tomadas sem dificuldades, mas o maior desafio se encontrava a frente em Kissoué.
 
Kissoué era um dos postos franceses de defesa mais solida da região, com um acesso complicado para os veículos de combate em avanço. Além disso, os franceses de Vichy foram presenteados com uma inundação do Rio Nahr el Aouaj em frente a sua posição.
 
O ataque começou na manha de 15 de junho com o avanço de tropas hindus num ataque frontal. Apesar da forte defesa francesa, os hindus tiveram sucesso no seu avanço e tomaram a vila a sua frente. Fuzileiros franceses também alcançaram seus objetivos e o cerco começa a se fechar. As 11 da manha, os franceses livres avançaram contra as posições de Vichy, mas foram recebidos com pesada artilharia. Outros pontos da região estavam também sob forte fogo e as linhas de comunicações aliadas estavam sob ameaça de serem cortadas por forças tunisianas de Vichy.
 
Loyd então enviou duas companhias de franceses livres além de artilharia para apoiar os ataques que continuaram noite a dentro. Após a tomada de vários pontos antes controlados pelo inimigo, as forças continuaram seu avanço para Damasco buscando efetivamente acabar com a comunicação e cortar definitivamente a linha de suprimentos de Vichy.
 
A Batalha de Damasco começou em 18 de junho com o avanço das tropas aliadas de suas posições em Aartouz em direção a Mezze, uma grande vila na junção da rodovia que liga Beirute a Damasco, a 3 milhas da capital Síria. Tropas hindus então chegaram a Mezze e após combates a curta distancia conseguiram tomar a vila. Entretanto, o equipamento e as armas antitanque que viajavam pela rodovia foram atacados e em sua maioria colocados fora de combate. Atrasos no avanço dos franceses livres contra Qadim possibilitaram ao inimigo se concentrar no contra-ataque a Mezze, aplicando intensa pressão sobre a posição aliada.
 
Na noite do dia 19 a situação aliada em Mezze era desesperadora. Os níveis de munição eram baixos e nenhum soldado havia comido até então. As perdas estavam em níveis elevados e os suprimentos médicos haviam acabado. Durante a madrugada, quando os ataques de Vichy cessaram, 3 homens conseguiram chegar ao QG na retaguarda para informar da situação. Como resultado, duas companhias de fuzileiros franceses e uma bateria de artilharia foi enviada a Mezze. Essas forças foram atrasadas devido a combates com blindados franceses.
 
Os aliados então aumentaram a pressão sobre Qadim voltando a atenção dos franceses de Vichy de Mezze o que liberou a pressão dos defensores daquela vila. A noite, forças de franceses livres com o apoio antitanques e AAs britânicas além de um batalhão australiano avançaram com as defesas de Vichy e capturaram Qadim.
 
Ao meio dia do dia 21, as forças aliadas tomaram Damasco e as forças de Vichy recuaram para oeste pela estada que leva a Beirute.
 
Em Palmira, as forças aliadas provenientes do Iraque se dividiram em 3 colunas visando atacar a frente e os flancos dos defensores de Vichy. Com a cidade cercada, as forças da Legião Árabe protegia os flancos aliados patrulhando o deserto assim como uma pequena guarnição tomou o forte francês de Seba e depois Sukha sem um tiro sequer ser disparado.
 
Na manhã de 1º de julho, as tropas inimigas atacaram Sukhna que foi habilmente defendida pela Legião Árabe, Num contra-ataque rápido, a Legião Árabe encurralou os franceses que não tiveram outra alternativa a não ser render-se. A rendição teve efeito devastador no moral francês, sendo que a guarnição de Palmira rendeu-se na noite de 2 de julho sem maiores problemas. A conquista de Palmira deu as forças aliadas a possibilidade de avançarem 40 milhas em território inimigo ameaçando as comunicações das forças de Vichy que combatiam os australianos na costa do Líbano.
 
Já no norte da Síria, o grupo do General Slim avançava ao longo do rio Eufrates e tinha a cidade de Deir ez Zor como próximo objetivo. Slim desejava atacar a cidade com uma força frontal pequena e então pegar os franceses de surpresa com uma rápido ataque pela retaguarda. O plano era temeroso já que os suprimentos de combustível de Slim estavam perigosamente baixos. Entretanto, usando a audácia com a qual ficou conhecido em Burma, Slim autorizou o flanqueamento pegando totalmente desprevenida a tropa francesa já sob ataque aliado. A cidade foi rapidamente tomada sendo que um montante considerável de munição, armas e óleo foi capturado.
 
Em 5 de julho, tropas aliadas avançaram cruzando o rio Damour em 2 pontos distintos e tomando as posições francesas. No dia seguinte, os australianos atacaram as posições inimigas ao norte sendo elas conquistadas. Em 7 de julho, as forças aliadas flanquearam Damour pelo leste enquanto o avanço pelo norte continuava sem problemas. Em 8 de julho, o cerco foi quase fechado por forças aliadas avançando ao longo do eixo da rodovia costeira.
 
Nas primeiras horas da manha do dia 9, os aliados tomaram Damour e logo pela manha as forças australianas já estavam seguindo em direção a Beirute
 
Entretanto, no dia anterior, 8 de julho, o comandante francês Gen. Henri Dentz acenou com um armistício. O avanço sobre Beirute junto a captura de Damasco pelos aliados e rápido avanço das tropas britânicas sobre a Síria vindas do Iraque, mostrou que a posição francesas era insustentável.
 
Às 12:01 do dia 12 de julho de 1941 um cessar fogo foi assinado, sendo que no dia 14 de julho, o Armistício de Saint Jean d’Acre foi assinado.
 
A triunfante entrada da 7ª Divisão Australiana em Beirute concluiu a completa ocupação Aliada do Líbano. Durante a guerra, Beirute se tornou uma importante base naval aliada no Mediterrâneo e a operação Exporter impediu que aquela área se tornasse uma estrada para vitória alemã no norte da África e Mediterrâneo.
 
Bibliografia
 
Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Syria-Lebanon_campaign
 
Time Magazine - http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,765709-1,00.html
 
Australian War Memorial - http://www.awm.gov.au/units/event_295.asp
 
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