ARTIGOS

A carta de um prisioneiro de Auschwitz decifrada após 70 anos01/12/2017Crematorio
Le fígaro.fr – 22/11/2017
Tradução – 01/12/2017.
  
Descoberta por acaso em 1980 por um estudante, o documento estava ilegível, mas um historiador russo finalmente conseguiu decifrar o conteúdo e trazer à luz um testemunho perturbador.
 
Em 1944, Marcel Nadjari, um juiz grego preso em Auschwitz, enterrou uma carta descrevendo tudo que ele pôde observar no campo trabalhando como um “Sonderkommando” – unidades de trabalho em campos compostas por deportados, principalmente judeus escolhidos pelas SS e obrigados a participar da solução final.
 
Trinta e seis anos depois, no outono de 1980, um estudante polonês que participava de escavações perto do campo encontrou uma carta composta de treze páginas arrancadas de um caderno e escrita em grego. O documento em questão, em grande parte apagado, estava ilegível.
 
Mesmo assim, a determinação do historiador Pavel Polain era maior e ele conseguiu, com a ajuda de programas de computador, decifrar grande parte do texto. “Nossa tarefa era recebê-los (os judeus húngaros deportados em 1944, nota do editor), a maioria não sabia o que os esperava. Para pessoas cujo destino foi selado, eu disse a verdade. Uma vez nus, eles foram para a câmara de morte onde os alemães haviam, supostamente, instalado chuveiros. Foram obrigados a aproximarem-se com um chicote e depois fecharem as portas com força”. É possível ler também o seguinte: “Não estou triste em morrer, escreveu depois, mas estou triste por não poder vingar a minha morte. Como eu poderia ter medo da morte depois de tudo que eu vi aqui?”.
 
O jornal belga Le Vif e outros canais alemães como o De Morgen relataram a história deste documento e a de seu autor. Preso em Auschwitz em 1944, Marcel Nadjari foi recrutado para os Sonderkommandos e forçado a esvaziar as câmaras de gás. Ele deveria, após separar os dentes de ouro dos corpos, leva-los ao crematório. Por estar convencido de que não escaparia com vida, Nadjari decidiu escrever uma carta para seus descendentes contando, em detalhes, as atrocidades de que era testemunha. No entanto, o autor da missiva enterrada escreveu suas memórias na Grécia antes de emigrar para os Estados Unidos na década de 1950, porém, jamais confiou a alguém o fato de ter enterrado esta carta perto do Crematório III em Auschwitz.

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Para acessar a reportagem original do Le Figaro clique AQUI
Imagem: Parte intern do cremtório de Auschwitz I - Fotografia de Paweł Sawicki - Museu de Auschwitz
Tradução e revisão - Caractere
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Dica de leitura: Sonderkommando - no inferno das câmaras de gás (Objetiva), livro de 2010 com 248 páginas, de Schlomo Venezia
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