ARTIGOS

A Revolta de Bar-Kokhba01/08/2014por Mata Hari
 
A revolta de Bar-Kokhba marcou uma época de grandes esperanças seguidas de violento desespero. Aos judeus foram dadas expectativas de uma pátria e um Templo Sagrado mas, no final, foram perseguidos e vendidos como escravos. Durante a revolta em si, os judeus ganharam enormes quantidades de terra, apenas para serem empurrados de volta e esmagados na batalha final de Bethar.

Quando Adriano se tornou imperador em 118 d.C., ele era receptivo aos judeus. Permitiu que eles voltassem para Jerusalém e garantiu a permissão para construir o Templo Sagrado. As esperanças dos judeus floresceram à medida em que eram feitos preparativos organizacionais e financeiros para tal construção. Adriano, no entanto,  rapidamente voltou atrás e solicitou que o lugar do Templo fosse movido de seu local original. Também começou a deportação dos judeus para o norte da África.

Os judeus começaram a se preparar para uma revolta até que o rabino Joshua Ben Hananiah os acalmou. Então iniciou-se uma preparação secreta para o caso de uma futura rebelião, caso fosse necessário. Construíram esconderijos em cavernas e construíram armas de má qualidade para que os romanos as rejeitassem e as devolvessem para os judeus.

O povo judeu organizou guerrilhas e, em 123 d.C., iniciaram ataques surpresa contra os romanos. Dali adiante, a vida só ficou pior para os judeus. Adriano odiava religiões "estrangeiras", proibiu a circuncisão e designou Tinneius Rufus governador da Judéia. Rufus era um governante cruel que se aproveitou das mulheres judias. Em aproximadamente 132 d.C., Adriano começou a estabelecer uma cidade em Jerusalém chamada Aelia Capitolina ( combinação do próprio nome Adriano e do deus Romano Júpiter Capitolinus). Ele começou a construir um templo para Júpiter no lugar do Templo Sagrado judaico.

Enquanto Adriano permaneceu próximo à Judeia, os judeus estiveram relativamente calmos. Quando ele deixou a região, em 132 d.C., os judeus começaram sua rebelião em larga escala. Tomaram cidades e as fortificaram com muros e passagens subterrâneas. Sob a forte liderança de Shimon Bar-Kokhba, os judeus capturaram cerca de 50 fortalezas na Judeia e outras 985 cidades e aldeias indefesas, incluindo Jerusalém. Os judeus de outros países ( e até mesmo alguns gentios), ofereceram-se para se juntar à sua cruzada. Os judeus cunharam moedas com slogans como " a liberdade de Israel", escrito em hebraico. Adriano enviou o general Publius Marcellus, governador da Síria para auxiliar Rufus, mas os judeus derrotaram ambos os líderes romanos. Em seguida, invadiram a região costeira e os romanos iniciaram diversas batalhas marítimas contra eles.

A reviravolta da guerra veio quando Adriano enviou à Judeia um de seus melhores generais da Bretanha, Julius Severus, juntamente com o ex-governador da Germânia, Hadrianus Quintus Lollius Urbicus. Nesse momento, haviam 12 legiões do exército egípcio, britânico, sírio e de outras áreas da Judeia. Devido ao grande número de rebeldes judeus, no lugar de uma guerra aberta, Severus sitiou fortalezas e reteve alimentos até os judeus tornarem-se fracos. Só então deu início ao ataque total. Os principais conflitos ocorreram na Judeia, o Shephela, nas montanhas e no deserto da Judeia, mesmo a luta se espalhando para o norte de Israel. Os romanos sofreram pesadas baixas e, por isso, Adriano não enviou sua usual mensagem ao Senado: "eu e meu exército estamos bem".

A batalha final da guerra teve lugar em Bethar, quartel-general de Bar-Kokhba, que abrigava tanto o Sinédrio ( Supremo Tribunal Judeu) quanto a casa de Nasi (líder). Bethar era uma fortaleza militar vital por conta de sua localização estratégica no cume de uma montanha com vista para o Vale de Sorek e para a importante estrada Jerusalém - Bet-Guvrin. Milhares de refugiados judeus figuram para Bethar durante a guerra. Em 135 d.C., o exército de Adriano sitiou Bethar e no nono dia de Av, o dia de jejum judaico que comemora a destruição do primeiro e segundo Templos Sagrados, os muros de Bethar caíram. Depois de uma batalha feroz, cada judeu de Bethar foi morto. Seis dias se passaram antes que os romanos permitissem aos judeus sepultar seus mortos.

Depois da batalha de Bethar, houve algumas escaramuças nas cavernas do Deserto da Judeia, mas a guerra estava definitivamente terminada e a independência judia estava perdida. Os romanos escavaram Jerusalém com uma junta de bois. Judeus foram vendidos como escravos e muitos foram enviados ao Egito. Assentamentos na Judeia não foram reconstruídos. Jerusalém foi transformada em uma cidade pagã chamada Aelia Capitolina e os judeus foram proibidos de viver lá. Foram autorizados a entrar apenas no dia 9 de Av para lamentar suas perdas na revolta. Adriano mudou o nome do país de Judeia para Síria Palestina.

Nos anos posteriores à revolta, Adriano rechaçou todas as seitas judaico-cristãs, mas a pior perseguição foi direcionada aos religiosos judeus. O imperador criou decretos anti-religiosos que proibiam o estudo da Torá, a observância do sábado, a circuncisão, os tribunais judeus, reuniões nas Sinagogas e outras práticas rituais. Muitos judeus considerados sábios e homens de destaque na sociedade judaica foram martirizados, incluindo o Rabino Akiva e o restante dos Asara Harugei Malchut (os dez mártires). Esta era de perseguição intensa durou até o fim do reinado de Adriano, em 138 d.C.
 
Curiosidades:
 
- Bar-Kokhba, ao recrutar os gentios, pedia para cada um deles arrancar um dedo com os dentes para provar sua bravura. Assim, ele reuniu 200.000 herois auto-mutilados.
- O centro de assentamento judaico se mudou para o norte da Galileia e para Gaulantis. O número de comunidades judaicas em outros lugares diminuiu e muitas cidades outrora judias se tornaram gentílicas ou receberam grande número de gentios.
- As cidades perderam seus nomes judaicos: Séfoiris / Diocesarea; Lida/ Diospolis e Beth Guvrin tornou-se Eleutheropolis. /Sebaste tornou-se uma colônia.
- A proibição da circuncisão permaneceu em vigor até Antonino Pio.
- Depois de 135 d.C., os judeus não tinham mais política ou instituições urbanas e territoriais que pudessem apoiar outra revolta, mas eles conseguiram manter a identidade nacional como consequência do crescimento de instituições rabínicas e do patriarcado na Galileia.
 
PARA SABER MAIS:
 
http://www.myjewishlearning.com/history/Ancient_and_Medieval_History/539_BCE-632_CE/Palestine_Under_Roman_Rule/Jewish-Christian_Schism/Bar_Kochba_Revolt.shtml

http://www.jewishhistory.org/bar-kochba/
 
 
FONTES:
 
Encyclopedia Judaica. "Bar Kokhba". Kether Publishing House, Jerusalém
Compartilhar: