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Gothas sobre Londres: A Campanha Alemã de Bombardeio Estratégico contra a Inglaterra entre 1917 e 191825/07/2014Por Oskar Emil von Hutier
 
A partir de 1916 com o impasse na frente ocidental a Alemanha havia começado a planejar uma ofensiva de bombardeio diurno contra a Grã-Bretanha utilizando aviões. Seus objetivos eram a debilitação da maquina de guerra britânica, através de prejuízos materiais principalmente afetando a capacidade industrial britânica, interrompendo o fluxo continuo de material entre Londres e os portos do canal, a instauração do pânico junto a população civil, solapando sua vontade de lutar e obrigando o alto comando britânico a desfalcar as suas já combalidas unidades do front ocidental, objetivando a transferência de canhões e guarnições pra defesa e manutenção da ordem na Ilha. 
 
Seis Kastas (Kampfstaffel) sob o comando do Capitão Ernst Brandenburg foram formados, estabelecendo-se inicialmente em  Sint-Denijs-Westrem e Gontrode, na Bélgica ocupada. . A essa altura as limitações dos  Zeppelin’s como incursores aéreos haviam tornado-se obvias.Depois de malsucedidas tentativas de bombardeio utilizando dirigíveis, a força de Brandenburg recebeu seus primeiros bombardeiros Gotha G, versão IV em Março de 1917.
 
A sua primeira surtida acabou ocorrendo em 25 de Maio, embora os bombardeiros tivessem sofrido problemas tanto técnicos (falhas mecânicas nos aparelhos) como meteorológicos, eles acabaram por conseguir lançar suas cargas sobre alvos secundários em Folkstone e Shorncliffe, totalizando cerca de 95 mortes alem de 195 feridos. Para as limitações técnicas da época, um resultado animador.  
 


Belíssima imagem de um Gotha G, modelo IV, sobre a Bélgica. Foto tirada em Junho de1917
 
O Segundo ataque, ocorreu em 5 de junho. Este, por sua vez, não teve o mesmo resultado, atingindo Sheerness em Kent, com poucos resultados práticos.
 
Entretanto um terceiro ataque realizado em 13 de junho resultou no primeiro ataque diurno a alcançar Londres, causando 162 mortes e 432 feridos. Entre os mortos estão 16 crianças mortas por uma bomba que acabou caindo em uma escola primária em Poplar. Este foi o mais mortífero ataque aéreo da guerra. E a fama de “Assassina de crianças” acabaria precedendo a carreira da arma de bombardeio não só ao longo da Grande Guerra, mas muito alem. Porem, a despeito das baixas, um dado particularmente importante mostrava a eficiência deste novo tipo de guerra, nenhum bombardeio foi perdido durante o ataque.
 


Retrato do capitão Ernest Brandenburg, comandante da força de bombardeiros estratégicos alemães.
 
A notícia do ataque foi recebida com entusiasmo na Alemanha, e Brandenburg foi convocado a apresentar-se em Berlim para receber a “Pour le Mérite”, a maior honra militar concedida pelo Segundo Reich Alemão. Decolando para a viagem de regresso, o motor de seu avião falhou e um sério acidente acabou ocorrendo. Brandenburg foi gravemente ferido, e seu piloto, o primeiro-tenente Freiherr von Trotha, acabou falecendo.
 
A razão para o relativamente alto numero vítimas parece ter sido a ignorância do publico em geral quanto à ameaça representada pelos bombardeios aéreos de uma cidade à luz do dia.  Multidões apinhavam-se pelas ruas para assistir o espetáculo terrível dos aviões sem qualquer proteção ou cobertura.
 
Como havia pouco de planejamento, as primeiras tentativas de interceptar os Gothas foram totalmente ineficazes. Um grande número de aviões britânicos foi colocado no ar, mas não foram capazes de subir alto o suficiente para interceptar os bombardeiros. Capitão James McCudden, proeminente ás britânico da Grande Guerra, fazia parte de uma força de interceptação de 92 aeronaves, que devido ao desempenho limitado de suas máquinas não tiveram sucesso em interceptar os bombardeiros.