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A Participação Naval Francesa na Primeira Guerra Mundial24/07/2014por Oskar Emil von Hutier

            Muito se sabe acerca da participação do exército francês na Primeira Guerra Mundial. Foi basicamente o exército francês que resistiu aos primeiros golpes desferidos pelo Exército Imperial Alemão. Além disso, nas grandes batalhas de Verdun e nas duas grandes batalhas do Marne, foi a França quem carregou o ônus principal entre as forças aliadas. Entretanto, a participação de sua esquadra em grande parte permanece na obscuridade, mesmo que a esquadra francesa tenha prestado relevantes serviços às forças aliadas, como veremos a seguir.

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O Dreadnought “Suffren”

            Após as alianças anglo-francesas de 1904, a política marinha francesa consistia em concentrar suas forças no Mediterrâneo contra uma provável coligação ítalo-austríaca, mantendo-se em uma posição defensiva principalmente no norte (Mar do Norte, Canal da Mancha, costa atlântica), onde a Marinha Real predominaria garantindo a posição de força dos Aliados. As forças francesas nesta área incluíam inicialmente sete cruzadores e vários destroyers, torpedeiros e submarinos para o serviço de patrulha à oeste do Canal da Mancha.
 
            No Mediterrâneo, por outro lado, o I Armee Navale sob o comando do Almirante Lapeyrère com 21 navios pesados (incluindo quatro encouraçados recém comissionados, 6 Navios da classe "Danton"  uma série de pré-dreadnoughts), 15 cruzadores, cerca de 43 destroyers e 15 submarinos esperava-se um papel mais ativo por parte das marinha francesa. E ela não decepcionou.
 
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Esquema de construção do Cruzador Blindado Dupetit-Thouars afundado em 1918.

 
 
            A primeira tarefa dos esquadrões do Mediterrâneo foi a escolta de transportes que levavam divisões do Norte Africano para a França, a tempo de participarem da Primeira Batalha do Marne, que impossibilitou o avanço Alemão rumo a Paris. Até finais de agosto de 1914, 14 navios de guerra, 6 cruzadores blindados, destroyers e submarinos foram enviados para o Mediterrâneo Central, baseando-se em Malta para patrulhar o sul do Mar Adriático. Para desencorajar qualquer surtida da frota austríaca, em Agosto de 1914, dois pré-dreadnoughts franceses juntaram-se a um esquadrão britânico em observação aos Dardanelos turcos impedindo a partida do  Cruzador de Batalha “Goeben” da Marinha Alemã. O “Goeben” acabou por ser transferido á Marinha Otomana, e desempenhando funções de bateria móvel, contra as forças Russas ao longo de toda a Grande Guerra.
 
            Com a entrada dos Italianos ao lado dos Aliados em Maio de 1915, os franceses alteraram sensivelmente sua doutrina em relação ao Mediterrâneo, deslocando-se para bases italianas, sobretudo a de Brindisi, na costa italiana do Adriático e na ilha grega de Corfu. Em dezembro de 1915, os sérvios tinham sido derrotados e seu exército recuou através das montanhas até a costa albanesa. A partir daí, a marinha francesa passou a atuar como força de resgate, evacuando os sérvios primeiro para Corfu e posteriormente para Bizerta no norte da Tunísia, então um protetorado francês.  Mais tarde os sérvios foram realocados para a Salônica grega. Ao todo 270 mil homens foram evacuados pelas forças francesas, sem grandes incidentes.
 
            Em dezembro de 1916, os franceses tiveram importante papel na resolução da “Questão Grega”, de vital importância para o predomínio aliado sobre o Mediterrâneo Oriental. Na Época, a Grécia contava com um Rei de origem germânica, e os laços consangüíneos estavam pendendo a Grécia em favor das Potencias Centrais. Dessa Forma, navios de guerra franceses nas redondezas de Atenas (e após o desembarque marinheiros e bombardeios), forçaram o Rei a abdicar e o governo grego pró-alemão teve de apoiar as políticas aliadas. Além disso alguns  navios de guerra gregos foram apreendidos e incorporados à Marinha francesa. Mais tarde deram uma contribuição valiosa para as contra-medidas aliadas à campanha submarinista alemã.
 
Kleber

























Cruzador Blindado Kleber, nos Estados Unidos, pouco antes da Eclosão da Grande Guerra.
 
            No biênio 1917/1918, os franceses desempenharam um papel importante na guerra contra os U-boats da Marinha Imperial Alemã, realizando tanto missões de patrulha como em escoltas de comboios. Além dos destroyers, as forças anti-submarinas da Esquadra Francesa foram organizadas em nove comandos de patrulha que ao todo somavam 111 torpedeiros, 65 submarinos,  63 canhoneiras, além de  153 civis adaptados para missões anti-submarinas e 734 mercantes armados.
 
            Embora a contribuição francesa ao esforço dos Aliados se concentrasse, principalmente, em seu vasto exército na frente ocidental, eles também fizeram sua parte na guerra no mar.
 
            As principais baixas sofridas pela Marinha Francesa ao Longo da Primeira Guerra Mundial:
 
1914 – O Destroyer “Mousquet” e o Submarino “Curie”.
 
1915 – Os Submarinos: “Saphir”, “Mariotte”, “Turquoise”, “Fresnel” e “Monge”; os destroyers: “Dague”, “Branlebas”; o Pré-Dreadnought “Bouvet”, o Cruzador Blindado “Leon Gambeta” e o Cruzador “Casabianca”.
 
1916 - O Cruzador Blindado “Amiral Charner”; os destroyers: “Renaudin”, “Fantassin”, “fourche”, e “Yatagan”; o submarino “Foucault” e os Pré-Dreadnoughts: “Suffren” e “Gaulois”.
 
1917 – O Cruzador “Cassini”, o Semi-Dreadnought “Danton”, os destroyers “Etendard” e “Boutefeu”, o submarino “Ariane”, o cruzador blindado “Kléber” e o Cruzador protegido “Chateurenault”.
 
1918 – Os Submarinos: “Diane”, “Bernoulli”, “Prairial”, “Floréal” e “Circé”; os destroyers: “Faulx”, “Catapulte” e “Carabinier” alem do Cruzador blindado Dupetit-Thouars
 
 
FONTES:
 
http://www.naval-history.net/WW1NavyFrench.htm
http://jfredmacdonald.com/worldwarone1914-1918/naval-18french-navy-adriatic.html
http://www.cityofart.net/bship/courbet.html
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