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Kamikaze - O Vento Divino17/06/2014por Kiril Meretskov

O Japão do século XIII estava em desenvolvimento, a população aumentou, os povoados começaram a crescer e alguns se converteram em cidades. Ampliou-se o comércio com a China, com aquisição de riquezas e novas idéias. O código de honra dos samurais, de uma simples série de lealdades feudais, transformou-se em vigoroso código moral, que se manteve nos séculos posteriores. Contudo durante a regência da família Hojo, houve duas invasões de mongóis procedentes da China, onde haviam conquistado o poder. Em ambas (1274 e 1281), os mongóis foram derrotados pelos japoneses, com a ajuda de dois violentos e oportunos furacões.

O kamikaze, ou "vento divino", fez os japoneses acreditarem que eram um povo protegido pelos deuses. A derrota mongol foi de importância crucial na história japonesa e contribuiu como nenhum outro acontecimento anterior para criar um arraigado sentimento de orgulho nacional.


Durante a Segunda Guerra, pilotos japoneses inspirados pelas ideias de honra, e dedicação à batalha, levaram a cabo corajosas missões suicidas contra os navios de guerra inimigos, principalmente contra os Estados Unidos, sendo essas missões de muita eficácia. A força aérea imperial japonesa chegou a desenvolver aviões especiais para estas missões suicidas, o seu principal objetivo eram de proteger o Japão, da invasão americana. O criador da ação kamikaze foi o almirante da Marinha Takajiro Onishi.

Em 19 de outubro de 1944, Onish comunicou a seus pilotos que os americanos haviam desembarcado nas Filipinas. A batalha naval estava próxima, e os métodos tradicionais não seriam suficientes para deter os inimigos. Havia, porém, uma esperança. Aviões de caça do tipo Zero, armados com uma única bomba de 250 quilos, se chocariam contra navios inimigos. A ousadia e o poder destruidor do ataque seriam fatais.
No dia 25 de outubro de 1944, na Batalha do Golfo de Leyte, foram relatados os primeiros ataques da Força de Ataque Especial (Tokkotai, ou Esquadrão kamikaze).

Eram 07:40 da manhã, quando marinheiros americanos da Primeira Frota Armada receberam o aviso de ataque aéreo. Seis caças atacaram, sendo dois abatidos pelas armas antiaéreas e um terceiro veio a se chocar com o porta-aviões Santee, os três restantes se afastaram, mas quando tudo parecia terminado um voltou e num mergulho atingiu o porta-aviões Suwanee. No ataque, 31 marinheiros foram mortos e mais 82 foram feridos. Apesar disso, a frota japonesa sofreu pesadas baixas, e nunca mais operaria com eficiência.
Muitos ocidentais ficam chocados ao ver as táticas Kamikazes, a idéia de colocar um garoto em um avião e dizer para ele se matar chocando seu avião contra seu alvo. Mas mesmo se você não disser para ele se chocar contra nada, colocar um garoto com apenas 20 horas de vôo e mandar ele enfrentar pilotos americanos em Hellcats e Corsairs, é uma tática tão suicida quanto o Kamikaze. Nós entendemos que, se eles têm de morrer de qualquer jeito, o ataque Kamikaze irá causar maior dano ao inimigo, com o mesmo custo em vidas, os ataques suicidas resultaram no afundamento de 57 navios, 108 totalmente destruídos, 83 parcialmente destruídos e 206 danificados e na morte de milhares de marinheiros,

possibilidade de transformar-se em um herói incandescente era um privilégio. Os 2.198 pilotos que jogaram seus aviões contra o inimigo eram todos voluntários; a lista de candidatos a kamikaze foi sempre maior do que o número de aviões disponíveis. Contudo houve muitos casos de pilotos aliados e alemães que no auge da batalha jogavam seus aviões contra os seus alvos.
O avião Zero possuía uma maneabilidade muito boa, mas não em velocidades maiores, pois o manche ficava extremamente pesado, então se o piloto kamikaze tentasse um mergulho direto, seria quase impossível acertar o alvo. A tática era voar baixo, rente a água, esquivando-se do fogo inimigo para atingir o alvo.

A ultima noite dos pilotos eram usada para escreverem cartas para seus parentes, no dia seguinte, ao amanhecer, a esquadrilha se reunia no campo, tomavam uma ultima taça de saque, fumavam um cigarro e partiam para o ataque final. No momento da decolagem os pilotos vestiam na testa, uma faixa de algodão branco desenhos de vários significados e levavam uma espada, igual a que os samurais usavam em batalha para avisar que estavam dispostos a morrer pela honra. Nas fotografias da época é possível ver o sorriso sereno dos jovens a caminho da morte.

Embora muito se tenha falado nas razões do espírito para justificar a ação kamikaze, os milhares de pilotos suicidas jamais foram movidos pela religião. O xintoísmo e o budismo, as duas principais religiões no Japão, condenam o suicídio. O Japão da era Meiji, que começou em 1872 com a abertura do país ao resto do mundo e encerrou-se com a derrota na Segunda Guerra, era fortemente influenciado pelos valores de Confúcio, filósofo chinês que viveu entre 551 a 479 a.C. Para o confucionismo, a família é à base da sociedade. E as relações de pai e filho são fundamentais. O Estado, por sua vez, é visto como uma grande sociedade familiar em que o imperador funciona como o pai. Confúcio também não era favorável ao suicídio, mas suas idéias de obediência conduzem à devoção absoluta em relação ao soberano.

 
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