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Aspectos da Guerra Aérea26/07/2013Por Otto Skorzeny  

Dentre todas as inovações tecnológicas e táticas da II Guerra Mundial, a utilização do avião como arma foi uma das que mais modificaram o panorama tático militar.  

"Nunca mais a retaguarda seria um lugar seguro"  

Inicialmente, o avião foi utilizado para reconhecimento aéreo. No final do conflito mundial de 1914-18 os famosos "dogfights" aconteciam nos céus da Europa e os primeiros bombardeiros estratégicos aconteciam, mas não mudaram estrategicamente os rumos das batalhas. Nas primeiras ações da IIWW, a Luftwaffe com larga experiência adquirida na Espanha, aprimorou a tática de desorientação e fustigamento das linhas de abastecimento e pontos de retaguarda inimiga. Despreparado para esse conceito, as linhas de logística do Exército polonês poucas vezes conseguiu ser eficiente, principalmente porque multidão de refugiados congestionavam as poucas estradas. O caos psicológico, pelo qual foi submetido a população civil polonesa, desorientou todo o seu sistema logístico pois, antes, apenas a presença física do inimigo proporcionava semelhante desordem civil. Mas a aviação de artilharia, empregando os Ju-87 Stuka como plataforma artilhada levou concentração de fogo onde antes ela não ocorria. Embora numeroso, o Exército polonês (antes da invasão de sua retaguarda pelos russos) não conseguiu concentrar suas reservas onde necessário, já que seu sistema de comunicação foi totalmente destruído, assim como boa parte de sua força aérea, ainda nos primeiros dias da campanha.  

"Por uma pista de pouso"  

A utilização do avião como apoio cerrado, face importante da Blitzkrieg, pôs em evidência um alvo que seria daí para frente prioritário: a captura de bases e aeródromos. Pois embora o poder de fogo da Luftwaffe fosse eficiente, conseguindo assim a superioridade aérea, havia ainda o problema do curto raio de ação das aeronaves. Portanto, para apoio aproximado, era necessário capturar bases e aeródromos que pudessem ficar totalmente operacionais para ações na linha de frente. Essa nova concepção norteou os estrategistas militares em diversas campanhas, a partir da Campanha da Noruega, onde as tomadas dos campos de Vaagso e Trondhein eram imprescindíveis para desembarque das novas tropas aeroterrestres, estas concebidas a partir do advento de numerosas frotas de transporte aéreo. Também em outras ações alemãs, a tomada de aeródromos foi alvo prioritário como em Creta, onde o campo de Heraklion era alvo principal. Muito se comenta o fato do Gen. Fryberg, comandante das tropas britânicas não ter previsto essa ação e fortalecido a defesa do campo. Outras ações se nortearam por esse conceito como a decisão da Invasão da Sicília em detrimento da invasão das ilhas gregas, justamente pelos diversos aeródromos sicilianos permitirem à Luftwaffe e à Reggia Aeronáutica atacarem os navios no Mediterrâneo. Pelo mesmo motivo se promoveu a invasão da Córsega. No Pacífico as ilhas com aeródromos ou com possibilidade de construí-los foram priorizadas para desembarque como Gualdalcanal ( Campo Henderson), Iwo Jima e Okinawa. No dia D a prioridade das tropas aeroterrestres eram as pontes sobre os rios próximos às cabeças de ponte, mas antes teria era preciso assegurar zonas de pouso para os planadores.    

"Duelos de Espadas"  

Embora bastante romanceada desde as lutas de triplanos e biplanos na I Guerra Mundial, os Dogfights tomaram proporções decisivas apenas na Batalha da Inglaterra, onde o comando de caças da RAF conseguiu desequilibrar as ações da Luftwaffe, recuperados pelo erro de desviar os esforços dos bombardeiros de aeródromos e estações de radar que permitiram à Grã-bretanha sustentar a luta no verão de 1940. As épicas lutas entre os Me-109 e os Spitfire nunca mais se repetiram com a mesma intensidade, passando as táticas aéreas para Bombardeios estratégicos e ataques ao solo, estas sim, estratégias que definiram a sorte do conflito. Mas não há como não exaltar feitos dos ases da II Guerra Mundial, como Erich Hartmann, Joachim Marseille, Richard Bong, Saburo Sakai, Jonnhye Johnson, etc.
Vídeo Relacionado:
Supermarine Spitfire MKVIII
Video sobre o Spitfire, simbolo da defesa britanica durante a Batalha da Inglaterra

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